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a miserável mentira

a miserável mentira

o jornalismo é que nos salva.

por Fábio Miguel Leite, em 09.07.14

Ocupo muito do meu tempo livre a tentar pôr-me a par do está a acontecer no mundo. Sou um news freak. Sou aquela pessoa que tem a Sic Notícias como canal default. Sempre que quero ter um som de fundo é a esse canal que recorro. Sempre que ligo a TV é na Sic Notícias que começa o meu zapping. Não tenho muito tempo para ler ficção. Gostava de ter mais. Aproveito as férias para isso. Leio jornais todos os dias. Vários jornais. Online. Alguns por ossos do oficio: os desportivos. Não acho que o futuro da imprensa sejam assinaturas online e sei que o papel nunca vai acabar. É muito mais prazeroso ler no papel. Mas o mundo digital é mais cómodo e barato. Tenho duas assinaturas activas. Expresso e Publico. O Expresso tem os melhores cronistas e - mesmo sendo um jornal semanal - tem sempre as breaking news que importam. É um jornal de análise. E os jornais diários deixaram de o ser. A reflexão vende pouco. O Publico é o melhor dos diários. Boas crónicas e português bem escrito. O tratamento dado à nossa língua pelos jornais diários é medonho. 

 

A semana passada fiquei surpreendido ao ler a entrevista de Clara Ferreira Alves ao Carlos Cruz. A Clara é das jornalistas que melhor trata a nossa língua. Só por isso já merece crédito. É alguém que se prepara muito bem. Investiga e analisa. E analisou o caso Casa Pia e as ligações de Carlos Cruz ao processo. Fê-lo minuciosamente. E fez algo surpreendente. Olhou para os factos e interpretou-os. Sem medo. E na introdução da entrevista assumiu que achava que Carlos Cruz não era culpado. Estava preso injustamente. Fez jornalismo. 

 

A Clara é uma jornalista experiente. E que provavelmente tem a liberdade de não precisar do jornalismo para viver. Essa é a maior liberdade que se pode ter num trabalho. E a única maneira de o executar em pleno. Não é normal vermos jornalistas a emitir opinião aquando da realização de entrevistas. E a Clara provou que uma entrevista não perde valor por isso. O juízo dela não condicionou o meu. E tenha a certeza que não condicionou o de nenhum leitor. O que condiciona são sempre as perguntas. E ela soube fazer as perguntas certas. Abriu espaço à conversa. Não procurou justificações. Não procurou ideias fracturantes para comercializar a conversa. Não procurou o soundbyte.

 

Esta atitude tem mais valor num país onde a comunicação social parece muitas vezes concionada. E por muitas razões. O dono do órgão de comunicação que acha que pode decidir uma linha editorial. O medo de perder o emprego num país sem trabalho. Ou a simples comodidade de fazer tudo certinho. Sem incomodar. Todas as razões são validas. Nada que esteja em falência vai ser livre. Mas pode ser verdadeiro. Basta assumir. As pessoas preferem sempre a verdade. Mesmo que ela represente o fim de uma mentira miserável. 

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