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a miserável mentira

a miserável mentira

quem sou e não o que faço.

por Fábio Miguel Leite, em 18.06.14

Fábio. 27 anos. Tenho um registo médico impecável tirando duas hérnias discais. Estou a aprender a viver com elas. Hei-de lhes dar um nome. Tenho uma mulher bonita. Tenho uma casa bonita. E trabalho num sítio bonito. E que paga as contas. Todas as que vierem até ao dia 20. Acho que o segredo da vida está no fundo de uma travessa de arroz de pato. Ou numa canção de The Smiths. Ainda não o encontrei. Sou consumista. Gosto de roupa e de ténis. Andámos demasiado tempo descalços para não valorizar o calçado. E as marcas importam. Mas só se souberes se a matéria-prima é melhor. Não conheço nenhum realizador melhor que o Kubrick. Kubrick é o nome do meu gato. Gosto de cães. O mercado de trabalho ensinou-me tudo sobre a escola. A escola não me ensinou nada sobre o mercado de trabalho. A escola é sobre aprender a viver em sociedade. Sobre educação. Não é sobre matéria. Dois anos fechado numa biblioteca servem para aprender toda a matéria que se aprende na escola. Universidade incluída. Não gosto de dinheiro. Tudo é mais importante que o dinheiro. E a influência é a mais importante das coisas. Portugal é um país sem esperança por causa disto. Há demasiada gente com demasiado dinheiro e pouca gente com influência. Ou vontade de a exercer. Para o bem. Não tenho religião. Gosto do Papa Francisco. Se apenas a fé fosse dogmática exisitiam mais fiéis. Todos precisamos de acreditar em alguma coisa. Não sou de esquerda nem de direita. E acho o centro chato. Sou de ideias. Mas ninguém tem ideias. Mas têm mentiras. E eu prefiro uma miserável mentira a uma mentira miserável. 

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